Comunicação Online e o BlahTherapy — solução ou confusão?

Serviços dedicados a conversas à distância — através de um dispositivo multimédia com ligação à Internet — foram um meio de socialização deveras peculiar na segunda metade dos anos 90: sistemas como o mIRC possibilitavam-nos conversar com pessoas de várias regiões e mesmo conhecidos, caso se soubesse a sua identidade — um requisito necessário para ligação. O método de interacção, no entanto, era todo à base de linhas de comandos pouco convencionais. Não foi tal facto, porém, que impediu o seu estrondoso sucesso, tendo sido desenvolvidas expressões próprias para os diálogos online — como lol ou, ddtc — donde teclas.

Criara-se assim um exército, com os seus códigos e condutas indirectas, constituídas por pessoas que “aprenderam” a usar a Internet com o máximo de eficiência possível

— os Jedi da Internet! —

Entretanto, alastraram-se os serviços de mensagens instantâneas associados a endereços de correio electrónico.

O alastramento destes foi estonteante. Eram populares em território Norte-Americano, graças ao Yahoo! Messenger, mas quando a Microsoft entrou na festa, muitos de nós passaram a não apenas conversar em rede, mas também a prestar muito mais atenção à gestão de uma conta de correio electrónico, hoje um requisito importante em determinadas áreas, desde aplicações web a questões academico-profissionais. Tinha um meio de interacção agradável, prático, e que possibilitava o envio de ficheiros e experimentar videojogos! Várias outras organizações se integraram na “febre”, com destaque especial para o Google Talk, um sistema bem mais seguro — não me perguntem como, mas quando estiverem a receber convites de gente desconhecida e infectada com vírus, responsáveis pelo envio de mensagens sem o vosso reconhecimento… enfim.

Apenas é possível comunicar com pessoas cujo e-mail nos tenha sido atribuído, portanto não é uma ferramenta com a componente social do mIRC. E aí entra o Facebook!

A rede social que ultrapassou o Hi5, graças à sua interface, propaganda, aplicações variadas e também um sistema de “chat”, que funde a possibilidade de conhecer pessoas — especialmente a partir de um sistema o qual, automaticamente, procura descobrir contactos que “possamos” conhecer, mesmo que apenas de vista ou vagamente, detectando as pessoas com mais amigos em comum connosco — e ainda comunicar com elas via messenger — no entanto, se desejarem recorrer a este chat frequentemente, recomendo vivamente uma aplicação específica que suporte contas Facebook, como o Digsby, pelo menos enquanto o novo Messenger da Windows não é lançado…

E entra no jogo o ChatRoulette: este é o extremo da aleatoriedade: ligam-se ao sistema, e falam com uma entidade, aleatoriamente. Um pouco extremo e provavelmente mais utilizado para pregar partidas que propriamente para socializar… mas é apenas um pressentimento.

No entanto, uma aplicação semelhante à premissa ChatRoulette insurgiu, mas desta feita com um fim terapêutico: BlahTherapy.

À semelhança do exemplo anterior, este não requer identificações, registos, nada! Apenas que seleccionem se desejam ser ouvintes ou “faladores”. E daí ligar-se-ão a alguém com a função oposta, e começam a falar.

Comecemos pela óbvia desvantagem: qualquer pessoa pode utilizar isto e dizer o que desejar, sendo um óptimo meio de pregar partidas a outras pessoas, que poderão ou não estar a ser sinceras consigo próprias.

Qualquer rede tem este defeito: a fiabilidade e selectividade da informação que será partilhada depende do utilizador, sem confirmações da sua veracidade.

Até as redes com partilha de fotos, tais como o popularíssimo e já mencionado Facebook, poderão ser enganosas com uma ou duas fotos, independentemente de serem ou não reais e não editadas. As aparências iludem, e modelos estereotipados pouco diferem entre eles, hoje em dia…

No entanto, há um ponto de vista curiosamente camuflado no defeito acima descrito: ninguém precisa de saber quem somos, logo não estamos a ofender ninguém, podemos dizer o que nos apetece, como nos apetece, pelo que também não há motivos para escondermos a nossa imagem: ninguém sabe — a menos que existam brechas de segurança que desconheça, no entanto nem sei se alguém se dará ao trabalho… — e tal facto, parecendo que não, contribui para que nos sintamos à vontade para falar sinceramente dos nossos maiores pesadelos e problemas; um pouco como um psicólogo.

Um problema, no entanto, poderá residir no facto de ser necessário existir um “Ouvinte” e um “Falador”. Apesar de, na prática, a diferença ser inexistente — ambos falam e pronto — poderá complicar a localização de um potencial conversador — e se ninguém for para “Ouvinte”? — mas, da pouca experiência que tenho, este é o menor dos problemas.

Uma outra questão reside no facto da maioria das conversas que tive — umas 10 — terem sido sempre interrompidas por uma desconexão que, muito francamente, não me parece ter sido propositada — “Olá, eu sou o Ryan!”; DESCONECTADO!

Será que tem potencial para salvar a vida de alguém? Diria que de muito pouca gente, mas quem sabe… se quiserem experimentar, cliquem aqui.

Por vezes, conversar sem expectativas sobre nós é a única coisa de que precisamos!

Apesar dos riscos evidentes, considero a comunicação online como algo com efeitos mais positivos que negativos — claramente não substitui contacto social próximo ou em eventos físicos, mas é um bom recurso para quando desejamos socializar em ambientes ou condições que não contribuem a uma sociedade muito unida, e onde se pode arriscar um pouco mais, por vezes, quando não sabem quem somos… ou algo que rime com isso!

E assim termino este artigo…

… mas quando é que foi a última vez que fiz um artigo como estes? Como é que vou sair daqui a rir? Bem, isto terá de servir!

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