Crónicas de uma Metaleira — O meu querido caixote… @OptimusAlive2009

O seguinte artigo é da autoria de uma “part-timer” aleatória — afinal de contas, nada é mais aleatório que trabalhar part-time — simplesmente conhecida como Kika. Esta crónica estava planeada como sendo uma homenagem aos concertos de Verão que decorrem anualmente, nomeadamente o Optimus Alive 2010. Porém, por motivos académicos, apenas foi concluído a tempo do Sudoeste. A lição a aprender com isto tudo é: estar de férias não consiste em motivo para não reciclar!

Para começar, é um prazer poder registar a minha experiência sob a forma de “testemunho do Aleatório” — sim, o “MiCosta” obrigou-me a recorrer a esta expressão, portanto queixem-se a ele, não a mim!


1 — Optimus (sort of) Alive 2009 — Vou ver Metallica!

Quando percebi que ia ver Metallica outra vez, pelo segundo ano consecutivo, fiquei literalmente radiante de felicidade! Já ninguém podia aturar a Kika, quando constatei que ia sozinha… e aí foi mesmo o culminar da maluquice!

Para começar, fui para a praia apanhar um escaldão daqueles bonitos de se ver — parecia uma lagosta, estava deveras sexy!!!

Mas a verdadeira aventura começou no “Mac” de Vila Franca de Xira,  onde fui encarada por pessoal que ia ao concerto — uns autênticos queridos que se meteram comigo!


2 — Algés e os cc…quem?

Chegar a Algés, por si só, foi extremamente engraçado: não saber se ia no comboio certo e seguir malucos com t-shirts de bandas que iam actuar foi do melhor! Terminada a travessia, tive ainda de ir trocar o talão pelo bilhete e descobrir a barraca dos… CCT?!

Descoberta a barraca, foi uma questão de paciência: passar lá umas horas ao sol à espera que os portões abrissem — há quem aguarde por estes momentos a semana toda, já estava atrasada!

A filinha, que parecia uma ninhada de caracóis, nem andava nem desandava, e o magote de religiosos pertencentes à grande legião metaleira, com as suas investidas e “amigáveis” empurrões, era capaz de esmigalhar todo o recinto da Semana Académica Farense numa questão de segundos! E a fila era apenas o aquecimento…

O momento épico da história depois do clique…


3 —O meu melhor amigo!

Foi necessário mais um belo par de horas para o começo da primeira actuação: Ramp.

Já é praxe a abertura destes festivais com um grupo Português, e este não foi excepção: esta banda nacional de “thrash metal” foi um óptimo aquecimento para aquela que seria a maior revelação, com uma grande voz e presença impecável: falo de Mastodon.

Foi então que eu, a mítica Kika Maria, descobriu um amigo que a marcou para a toda a vida: encoberto de tons de um azul irresistível, um exímio consumidor de copos de cerveja, e fraterno amigo da malta!

Falo, pois claro, de um caixote do lixo!

E este meu camarada, após uma relação imediata de intimidade qual filme romântico, marcou eternamente a minha experiência com uma banda, da qual pouco conhecia: os “cordeirinhos” Lamb of God.

Graças à soberba força e resistência do meu novo camarada, consegui subir para apreciar melhor a vista, e sabem que mais? Foi o melhor acto que poderia ter feito: quando dei por mim, estava rodeada de leões, exímios mestres na arte do “headbanging” — “abanar o capacete”, para dar mérito à língua Portuguesa — e, subitamente, o meu amigo começou a “curtir o som” com os seus novos amigos, de tal modo que até eu comecei a vibrar com uma “energia negra” que nunca sentir: a força do Wall of Death!

Aproveitemos para explicar o que é esta tal “Parede da Morte”, acompanhado de uma música dos Lamb:

Wall of Death consiste num ritual tradicional dos ensinamentos do Metaleiro, onde um grupo de “seguidores” constrói uma arena circular com os seus próprios corpos, prontos para se atirar contra a manada, como quem diz “THIS IS SPARTAAAAAAA!!!” — eu suma, assemelha-se àqueles “moches foleiros”, comuns em exibições de Xutos e Pontapés, só que sem a componente… “foleira”!

— Metaleiropédia

Presumo que já se tenham apercebido, neste preciso momento, de como eu entro nesta história: o meu caixotinho era parte da festa! E eu, menina pequerrucha e magrita… era a mulher MAIS FELIZ DO MUNDO!!!

Longe de terminar, o festival atingiu um novo ponto alto com Machine Head, cujo esplendor já tinha sido comprovado no Rock in Rio Lisboa 2008. Foi neste momento que testemunhei mais uma das tradições Metaleiras: o Circle Pit — Fosso Circular!

Circle Pit resulta de uma fila de “seguidores”, onde estes correm uns atrás dos outros, com sentido constante e direcção circular — uma roda enorme com “marados” a correr atrás dos outros, basicamente — . É considerado, em certos países, um ritual de iniciação ao Culto do Metaleiro, suspeita-se que isto é devido ao facto de se assemelhar a uma brincadeira infantil de meninos a andar à roda.

— Metaleiropédia

E asseguro-vos: EU iria lá!


4 — O Final da História

No final, tive de agradecer ao meu novo melhor amigo por este me ter assegurado a maior vivência que já tivera — por me ter dado a oportunidade de ver e apreciar o concerto de uma perspectiva, para mim, absolutamente inédita; e ainda por me ter impedido de ser esmagada e, consequentemente, passar o resto do concerto no hospital.

Slipknot foi bom, mas saltar, empurrar e zelar pela minha própria sobrevivência, já não pareciam tão épicos sem o meu amigo caixote, ao qual concedera a oportunidade de socializar com um amigo novo e pequeno, como forma de agradecimento.

— esta é para o senhor administrador, visto ser das únicas que gosta!😉 —

O concerto terminou da melhor maneira: o “puto” era um querido, mas não podia deixar de apreciar Metallica — banda que escusa apresentações! — sem o meu amigo caixote!


5 — Conclusão
E este é o fim do meu enorme relatório! Porquê tamanho testamento?

  1. Quando eu e o MiCosta nos conhecemos, ele ficou a pensar que era doida, por ter ido a um concerto daqueles sozinha e o ter adorado — francamente, não me parece que ele tenha mudado de opinião, mas ele que lide com isso, eheh!
  2. Concertos de Metal podem ser loucos, mas se resumem em violência, bebida e drogas — não nego a sua existência, mas disso há por todo o lado… –. Os tão estereotipados “metaleiros” são pessoas que se divertem apreciando um particular género musical, apesar dos hábitos pouco ortodoxos. Aliás, onde pensam que há mais violência: aqui ou no futebol?

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Kika Machado

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