Momento Aleatório — O Princípio de Shirky e valores Socio-Cognitivos

“Institutions will try to preserve the problem to which they are the solution.”

“Instituições procurarão preservar o problema para o qual elas são a solução.”

O Princípio de Shirky, por Clay Shirky

— Eu quero resolver o problema do crime mas, indirectamente, quero também que ele persista para eu o poder ir resolvendo. E isto, ironicamente, não é contraditório. —

Por vezes, estamos de tal modo envolvidos num problema que, indirectamente, ao contribuir para a sua eliminação/atenuação, não conseguimos “viver” sem eles, mesmo não tendo consciência disso. Portanto, convertemo-nos indirectamente, em parte do problema, e isto não é necessariamente mau ou bom, é meramente natural. E, se virmos esta situação de outro ponto de vista — mesmo podendo não ser aquilo que Shirky quis transmitir –, até faz sentido igualmente de um ponto de vista economico-social: uma vez, o meu tio recebeu um e-mail sobre um novo anti-vírus à venda. Por mera precaução, decidiu recorrer ao seu software de protecção, já instalado no computador, para analisar a segurança deste mesmo e-mail, e estava de facto afectado. Isto fará algum sentido? Claro, o desenvolvimento dos anti-vírus surgiu para eliminar um problema inicial, mas, à medida que a situação evoluiu e o negócio cresce, é evidente que começa-se a raciocinar de modo diferente: se o problema dos vírus fosse completamente removido, que sentido passariam a fazer os meus programas de segurança? Se não existisse crime ou uma paz em risco, que sentido fariam os policiais e exército? E, como parte integrante das suas vidas, instituições — e pessoas — procuram indirectamente preservar o problema que conseguem resolver, de forma a marcar o seu lugar numa sociedade.

Clay Shirky, o responsável por este interessante princípio e pela teoria do Excedente Cognitivo, destaca-se pelos seus estudos associados à importância da Internet como meio de difusão e comunicação de conhecimentos, obras amadoras/caseiras e como estas iniciativas contribuem para um desenvolvimento pessoal, comunitário ou mesmo a nível nacional, sem implicar a existência de fins lucrativos. Jogos independentes, cartas abertas, blogues — como costumo dizer, os puros “diários digitais” –, meios de comunicar o que se passa num país em guerra ou perante catástrofes, como no caso do Haiti o ano passado, onde os MEDIA tradicionais, como as notícias, poderão dar uma ideia demasiado generalista e menos precisa que a de um amador que vive no meio do desastre e sabe bem o que se passou. É verdade que a internet tem muitos perigos, mas não podemos descartar, naturalmente, os seus inúmeros benefícios para sociedades mais cultas e manifestação de vários pontos de vista.

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